O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira, 20, que os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin seguirão no julgamento da denúncia relacionada à trama golpista. A decisão, tomada após um julgamento virtual, teve o placar de 9 a 1 para Moraes e Dino, e 10 a 0 para Zanin. O único voto divergente foi do ministro André Mendonça, que questionou a permanência de Moraes na relatoria devido a uma possível parcialidade, já que ele foi citado como alvo de uma tentativa de assassinato no contexto da trama golpista.
Mendonça também sugeriu o afastamento de Dino, alegando que ele deveria ser impedido por ter ajuizado uma ação contra Bolsonaro antes de ser indicado ao STF. No caso de Zanin, a defesa de Bolsonaro argumentou que o fato de Zanin ter atuado como advogado de Lula o tornaria parcial, mas Mendonça não acolheu o recurso.
Com a decisão, os três ministros seguirão para a análise da admissibilidade da denúncia na Primeira Turma da Corte, que será iniciada na próxima terça-feira, 25 de março. O julgamento envolveu uma ação de suspeição proposta pela defesa do general Walter Braga Netto contra Moraes e duas ações de impedimento contra Dino e Zanin, propostas pela defesa de Bolsonaro. A defesa do general Mário Fernandes também apresentou uma ação de impedimento contra Dino.
O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, foi o responsável por conduzir o voto nos quatro casos, negando os recursos apresentados. Barroso rejeitou o pedido de suspeição contra Moraes, afirmando que não havia elementos suficientes para questionar a imparcialidade do ministro. Além disso, Barroso entendeu que os pedidos de afastamento de Dino e Zanin não se enquadravam nas hipóteses previstas para o impedimento de ministros.
Com a decisão, os ministros permanecerão no julgamento da trama golpista, mantendo a composição da Primeira Turma do STF, que iniciará a análise do caso na próxima semana. Esse avanço marca uma nova etapa no julgamento da denúncia, podendo trazer desdobramentos significativos para a investigação da tentativa de golpe.